Trump contra neutralidade na rede

O Rumor do plano de Trump de indicar Ajit Pai à chefia do FCC – o órgão norte-americano que regula as telecomunicações no país, similar à nossa Anatel, gera preocupações, já que Pai é um dos maiores opositores do projeto de neutralidade da rede. O rumor surgiu através de fontes confiáveis de um portal de notícias norte-americano, que indicavam que a nomeação poderia ser feita tão logo o político tomasse seu lugar no comando dos EUA.

Indicado inicialmente para se juntar ao órgão por Barack Obama, muito por conta de seu amplo conhecimento das leis que regem o setor, Pai já está há três anos no FCC. Porém, enquanto o atual presidente da entidade, Tom Wheeler, é um defensor ferrenho da ideia de que todo o tráfego na internet seja tratado da mesma forma por operadoras e provedores, seu possível substituto segue pelo caminho contrário, indicando que as regras de neutralidade podem trazer mais problemas do que soluções.

Isso quer dizer que o provedor de internet não pode recorrer ao asqueroso recurso de traffic shaping

De um modo geral, o conceito de neutralidade da rede parte do princípio que, ao não se levar em consideração a origem, o destino ou o conteúdo de um pacote de dados, seja possível acabar com práticas como cobranças extras por serviços específicos ou priorização de um material em relação a outro. Na prática, isso quer dizer que o provedor de internet não pode recorrer ao asqueroso recurso de traffic shaping, no qual ele decide se deixa o seu acesso a um determinado item mais lento ou rápido – dependendo dos interesses da própria empresa.

É bom para você, mas ruim para eles

Embora a iniciativa possa acabar com planos de dados móveis como os que dão acesso livre ao Facebook, WhatsApp e Twitter, por exemplo, há um consenso geral de a mudança é extremamente positiva para o consumidor final, que deixa de ser um “refém” das companhias que, além de proverem acesso à internet, também produzem conteúdo – ou estão associadas de alguma maneira a parceiros que exercem esse tipo de atividade.

O atual comissário do FCC prometeu brigar contra qualquer lei ou decisão que atrapalhe investimentos, inovações e criação de empregos

Pai, no entanto, acredita piamente que esse conjunto de regras pode afetar negativamente o mercado, trazendo “aumento no preço das conexões, menos velocidade, uma redução na expansão da rede, menos inovação e menor oferta de opções para o público”. Repetindo temas comuns dentro do Partido Republicano, o atual comissário do FCC prometeu brigar contra qualquer lei ou decisão que atrapalhe investimentos, inovações e criação de empregos.

A dúvida é: será que Pai, outros representantes republicanos e as companhias do setor de telecomunicações norte-americano – todos opositores da neutralidade da rede – estão defendendo os interesses da população ou a boa e velha maximização de lucros? Deixe a sua opinião sobre o tema mais abaixo, na seção de comentários.

FONTE(S) CNET/MICHELLE MEYERSTECMUNDO